SÓ SE ME DORMIREM




É uma peça de performance-dança baseada em encontros semanais com um grupo de dançarinos de salão idosos, a maioria deficientes visuais.
Questionando a ênfase no sistema visual adotada pelo ocidente, adoto como estratégia a ampliação de práticas de toque e presença, no intuito de dar a perceber as relações/percepções de outra natureza que poderiam emergir nestes encontros.
Produzida em três movimentos: o tempo da pedra, o tempo da montanha e o tempo da dança, cada um deles pretendendo explorar nuances de tempo, presença e encontro/desencontro, ritmo ou arritmia.

O tempo da pedra é uma prática de eutonia de 60 minutos. Auxiliados por instruções vocais, os dançarinos entram
em contato com movimentos, vibrações e informações moleculares do próprio corpo: o som da respiração, o tamanho do fígado, os ossos que se entregam ao chão. O público entra no espaço no 45° minuto e presencia o final desse movimento.

No tempo da montanha, há a busca de uma relação entre corpos e a possibilidade de estabelecer contato e movimento pelo toque. O tempo geológico é invocado, ampliando a extensão de gestos e deslocamentos.

No tempo da dança, ouvindo músicas diferentes em fones de ouvido, os dançarinos dançam juntos ou sozinhos, enquanto eu canto um único verso da canção Vapor Barato, de Jards Macalé e Waly Salomão: Oh, sim, eu estou tão cansada, acompanhada por uma musicista.
2018
2h
performance
G>E de peito aberto, Casa do Povo/SP

Performers: Sonia Maria Silvestre, Marlene Cordelia, Zelia Araujo dos Santos, Madalena Ligia Coutinho dos Reis, Regina Celia de Faria Ferreira, Teresa Riello, Benjamin Orlandi, Joel Souza Leal, Walter Roberto Cirillo, Giba Duarte, Aparecido Silvestre.
Música: Kilsen Girotto na Casa do Povo e Carla Boregas na SP-Arte
Percepção corporal: Ana Dupas
Maquiagem: Felipe Ramirez
Locução: Camila Valones
Fotos e câmera: Adima Macena, André Penteado
Edição de vídeo: Pedro Gallego