EU SOU MUITAS



Eu sou muitas parte da leitura de A dama do mar, adaptação de Susan Sontag para a obra de Ibsen que narra a história de um homem e uma mulher em um relaçionamento abusivo e violento.

Os questionamentos disparados pela livro e a minha própria experiência em um relacionamento dessa natureza me levou
a juntar-me com outras mulheres, todas vindas de contextos abusivos, para elaborar sobre a violência de gênero presente no texto e em seus nossos relacionamentos afetivos. As violências dessubjetivantes, emaranhadas à experiência da leitura, tornaram visíveis reivindicações pessoais e políticas: vida, dignidade, esperança e acordos tácitos de cuidados.





A ideia foi coletivizar experiências, tornar público o que é do âmbito privado e doméstico, fortalecer a presença e elaborar com as participantes a consciência de que um corpo em contato consigo mesmo pode desenvolver possibilidades de gerar liberdade, autonomia e alegria.

Após um longo processo de trabalho envolvendo práticas de saúde, escuta clínica, testemunho como exercício de compartilhamento coletivo, consciência corporal e meditação, as mulheres confeccionaram suas próprias máscaras, criaram fundos/cenários com elementos domésticos como toalhas, lençóis e colchas, e desenvolveram uma gestualidade. Na etapa final desta elaboração, foram construídas imagens fotográficas em colaboração com cada retratada.

Para preservá-las, garantiu-se o anonimato das participantes.

*realizado em Casa do Povo/2014, Serviço de Assistência Social à Família/2015m Oficina Cultural Alfredo Volpi/2017
série fotográfica em processo desde 2014
Giclee print
100 x 70 cm cada